em que cidade fechámos as pálpebras para nos amarmos?
terça-feira, 10 de Novembro de 2009
segunda-feira, 9 de Novembro de 2009

Hoje vi no metro um casal muito bonito. Ela era asiática e ele caucasiano. Ele falava para ela japonês com uma ternura que me fazia sorrir sem eu mesma querer. Amparava-lhe as costas com a mão direita, com delicadeza, enquanto que a esquerda segurava um livro turístico da cidade de Lisboa. Respirando lentamente por detrás do cabelo preso da namorada, desejando que a paragem deles chegasse, vi como eles gostavam um do outro. É esse sentimento que flui sem nada demonstrarmos que me faz suspirar, um dia, pela minha vez.
sábado, 7 de Novembro de 2009
sexta-feira, 6 de Novembro de 2009

Meus dedos estão regelados neste quarto de paredes fechadas, neste marasmo de pensamentos que só vão dar em ti, nesse teu ninguém que me cobre e persegue sempre que me olho ao espelho e vejo a tua imagem junto a mim, abraçando-me suavemente. Estou neste rua sozinha, olhando o céu como quem olha a esperança de viver. Em outro sítio desejo estar, para além deste que já conheço, contigo. Mas de facto, estou só, sempre estive para dizer a verdade, sim foi isso que sempre senti, sem ninguém que me entrelace as mãos e respire o mesmo ar que eu (com a mesma intensidade), que sorria pelo mesmo que eu, que leia os meus pensamentos sem eu mesma pronunciar uma única palavra. Ai, era tão bom fugir destas paredes, desta rua solitária, escura e fria e voar, voar para longe, longínquamente longe. Eu sei para onde voaria. Consegues adivinhar?
terça-feira, 3 de Novembro de 2009

Dizem que somos sonhadoras demais. Pergunto-me:"E isso é bom?". J. segura-me pelo braço, conduzindo-me rua abaixo e, com um sorriso tentador nos lábios, responde-me:"Claro que sim. O que mais poderia ser?". Foi uma tarde feliz.
segunda-feira, 2 de Novembro de 2009
domingo, 1 de Novembro de 2009

Este sorriso faz-me lembrar aquelas demontrações sinceras de felicidade quando era criança e ainda tinha os motivos certeiros para o fazer. Ainda não descobrira - nesse tempo que quase sinto poder tocar de novo nas mãos - as desilusões e os sonhos desprovidos de realidade; os tempos de espera por alguém que irá dividir a vida connosco; a infinidade de receios sem razão, a timidez-matura-de-um-ser-sem-sentido-algum. Este sorriso, embora que escondido, faz-me voltar atrás. Aquela luz no olhar, quando o tempo ainda era só tempo.
sexta-feira, 30 de Outubro de 2009
quinta-feira, 29 de Outubro de 2009
quarta-feira, 28 de Outubro de 2009

Chamo-te mas tu continuas, lá fora, a admirar o mundo de forma prepotente com o teu cigarro na boca. Do velho varandim observas a serra e o mar, o silêncio e os ruídos sonoros que nos acordam todas as noites. Espero por ti e volto-te a chamar, enquanto permaneço sentada no sofá a ver a novela. Insisto e não vens, continuas aí a controlar tudo o que (não) se passa e te é completamente alheio.
Subitamente, o vento desperta e faz sentir-se no varandim, tentando limpar o que está a mais, ou não fosse o primeiro dia de Outono (Folhas secas numa frenética correria em direcção nenhuma). Deixo de sentir o cheiro do teu cigarro, mas não quero saber, não estou com vontade para aturar as tuas nostalgias, as tuas lamúrias e dramas; já me chega a telenovela que passa na TV, pelas nove da noite.
segunda-feira, 26 de Outubro de 2009

Franny rapidamente virou as cinzas do seu cigarro, então trouxe o cinzeiro um centímetro mais perto do seu lado da mesa e ficou ali. "Sinto muito. Eu sou terrível", disse ela. "Eu senti-me tão destrutiva durante esta semana que nem podes imaginar. É horrível este sentimento. Desculpa, mas hoje não sou boa companhia". Apartir dai nada mais disse. Voltou a colocar o seu olhar frente ao mar que dava para lá da varanda e permaneceu assim, imóvel, ao longo de toda a manhã.
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